Prenúncio de velhas

 

(Foto de Milind Padia na Unsplash)

Nasceu antes do tempo e as velhas da aldeia olharam para o pequeno ser e declararam: “Esta não se cria!”. O que as velhas não sabiam é que Zilda nasceu faminta de vida e sustento.

Cresceu, sempre com um pedaço de comida na mão, e tornou-se numa mulher franzina, tímida, mas com um talento inesquecível.

Quando Zilda entrava na cozinha, transformava-se e ninguém ficava indiferente à sua presença. Talvez fosse a forma como caminhava, talvez fosse um subtil aroma a baunilha e chocolate que a envolvia. A cozinha era um espaço mágico, repleto de odores misteriosos e plantas variadas.

Zilda abria as portas e transportava os comensais para um mundo memorável de texturas, cheiros e sabores. Zilda era a alma da aldeia.

As velhas, muito velhas, bem encarquilhadas, sussurravam entre si: “Que bela moça, a nossa Zilda! Sempre disse que desabrocharia!”

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O texto de hoje é pouco diferente. Estava esquecido num ficheiro e resultou de um exercício de escrita criativa. Reescrevi o texto,  mas gostei do resultado final e resolvi partilhar.

Boas leituras e boa semana!

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