Prenúncio de velhas
Nasceu antes do tempo e as velhas da aldeia olharam para o pequeno ser e declararam: “Esta não se cria!”. O que as velhas não sabiam é que Zilda nasceu faminta de vida e sustento.
Cresceu, sempre com um pedaço de comida na mão, e tornou-se
numa mulher franzina, tímida, mas com um talento inesquecível.
Quando Zilda entrava na cozinha, transformava-se e ninguém
ficava indiferente à sua presença. Talvez fosse a forma como caminhava, talvez
fosse um subtil aroma a baunilha e chocolate que a envolvia. A cozinha era um
espaço mágico, repleto de odores misteriosos e plantas variadas.
Zilda abria as portas e transportava os comensais para um
mundo memorável de texturas, cheiros e sabores. Zilda era a alma da aldeia.
As velhas, muito velhas, bem encarquilhadas, sussurravam
entre si: “Que bela moça, a nossa Zilda! Sempre disse que desabrocharia!”


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